sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

FORMAÇÃO IDEOLÓGICA E FORMAÇÃO DISCURSIVA

O conceito de formação ideológica é incorporado na primeira fase da análise do discurso e depois perde importância. Tem como ponto de partida o trabalho de Althusser, mais específica a concepção de discurso como uma das instâncias em que a materialidade ideológica se concretiza.

A ideologia funciona na reprodução das relações de produção, pela interpretação ou assujeitamento do sujeito como sujeito ideológico. Cada indivíduo seria levado a ocupar seu lugar em um dos grupos ou classes de uma determinada formação social, mesmo que ele tenha a impressão de ser senhor de sua própria vontade.

A formação ideológica tem como um de seus componentes as formações discursivas, ou seja, os discursos são governados por formações ideológicas. Passamos assim à conceituação de formações discursivas: “São as formações discursivas que, em uma formação ideológica específica e levando em conta uma relação de classe, determinam o que pode e deve ser dito a partir de uma posição dada em uma conjuntura dada” (BRANDÃO, 1998, p. 38).

A noção de formação discursiva foi elaborada por Pêcheux a partir das proposições de Foucault e tem dois tipos de funcionamento:
*A paráfrase – a formação discursiva é um sistema de paráfrases, ou seja, de constante retomada e reformulação dos enunciados, como forma de preservar sua identidade.
*O pré-contruído – A análise do discurso chama de pré-contruído as construções anteriores e exteriores, que se diferenciam do que é construído pelo enunciado.

Podemos ilustrar os conceitos de formação ideológica e formação discursiva a partir da seguinte piada:
Perguntamos a um fulano se ele era racista. Ele disse que não, só não gostava muito de alemão. Mas logo alemão? Por quê? E ele respondeu: É que eles poderiam ter acabado com os judeus e fizeram um serviço de preto. (POSSENTI, 1998, P.38)

As piadas em principio não têm autor, mas sempre é possível reconhecer nelas a manifestação de uma posição ideológica. Nessa piada, o efeito de humor resulta da contradição entre a afirmação do personagem de que não é racista e das afirmações racistas que ele faz a seguir. Pode-se reconhecer nela a retomada (paráfrase) de enunciados que aparecem em vários discursos que reafirmam a superioridade dos brancos e discriminam grupos como judeus e os negros. Ou seja, podemos reconhecer sua inserção em uma forma discursiva racista.
 


Fonte: CORREA, Vanessa Loureiro. Leitura e produção de texto. 2 ed. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2009.


Postado por: Gregório Vaz

4 comentários:

  1. Excelente! Adoro quando simplificam os textos. Não sei porque escrevem de forma tão rebuscada nos livros...

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  2. Parabéns ao autor pela simplicidade em se expressar com total clareza.

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